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Ozzy Osbourne e Brütal Legend: o sujeito que não recalca

O rock perdeu uma de suas vozes mais viscerais. Ozzy Osbourne — o Príncipe das Trevas — se despediu deste mundo em julho de 2025, aos 76 anos. Como psiquiatra, psicanalista e fã de rock e videogames, não podia deixar passar. Ozzy foi mais que um artista: foi um sintoma vivo do excesso, um grito que ressoava direto do inconsciente. E sim, o Príncipe das Trevas também reinou nos games.

Este texto é uma homenagem. Ozzy Osbourne (1948–2025) fez seu último show com o Black Sabbath em Birmingham em 5 de julho de 2025, dias antes de partir.

Brütal Legend: a forja mítica do metal

Entre suas aparições mais marcantes está Brütal Legend, lançado em 2009 pela Double Fine. Não é apenas um jogo sobre heavy metal: é um delírio épico, um mundo inteiro feito das vísceras da cultura metal. Dirigido por Tim Schafer e estrelado por Jack Black como o roadie Eddie Riggs, o jogo joga o protagonista numa dimensão feita de riffs, caveiras e lava — o inconsciente coletivo do metal transformado em mundo jogável. Pelo caminho, o jogador encontra ícones reais do rock dublando personagens: Lemmy Kilmister, do Motörhead, como o Kill Master, um curandeiro que usa o baixo para curar; Rob Halford, do Judas Priest, como o General Lionwhyte; Lita Ford como Rima. E há Ozzy — o Guardião do Metal, a figura que, numa forja secreta e flamejante, te oferece os upgrades. Na prática, ele te dá mais poder; na experiência, ele é o reconhecimento do mestre, um rito de passagem. Você não vira herói do metal sem passar pela forja dele.

Presença que resiste à virtualização

É curioso como, mesmo em tanta virtualização, a presença de Ozzy nos games preserva algo do real: o real do corpo que falha, da voz que falha, mas que insiste e por isso afeta. Em Guitar Hero, ele não era só trilha — era jogável; você podia incorporá-lo e sentir no corpo aquela performance em que o gozo se derrama pela voz e pelo gesto. Sua música nunca foi para acalmar, mas para sacudir: grito, raiva, deboche, mas também vitalidade. Era pulsão de vida disfarçada de barulho.

O que não se recalca

Já fragilizado, Ozzy ainda apareceu em campanhas e projetos improváveis, sempre deixando rastros, tentando permanecer mesmo no imaterial. É a pulsão de permanência de um sujeito que sempre viveu à beira da dissolução. Como toda figura mítica, ele também vive em memes, recriado por fãs, circulando entre jogos e avatares — repetindo-se, retornando como um significante que insiste em não desaparecer. Um retorno do recalcado em forma de cultura pop: o que para outros seria fim, para ele era performance.

Despedida sem nostalgia

Ozzy não foi um herói nem um exemplo — foi excesso, e por isso foi tão verdadeiro. Como psicanalista, reconheço nele o sujeito que não recalca: diz tudo, mesmo tropeçando. Como gamer, agradeço pelos pixels que ele habitou. Como fã, me despeço sem nostalgia, mas com a certeza de que certos gritos nunca se apagam. Onde houver barulho e sombra, ele estará.

Para prolongar a homenagem: Brütal Legend (o jogo com o Ozzy como Guardião do Metal) e "O Último Ritual", as memórias finais do Ozzy Osbourne.

Brütal Legend → Livro: O Último Ritual →

Tem também a versão de Brütal Legend para Xbox 360, pra quem curte retrocompatível.

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🎥 Assista à homenagem completa
Cole aqui o embed do vídeo do YouTube.

Referências

Brütal Legend (Double Fine Productions, 2009). · Freud, S. — o conceito de retorno do recalcado e a pulsão. · Ozzy Osbourne (1948–2025).

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